segunda-feira, 20 de junho de 2022

Análise freestyle: KISU11

Netos e netas,

Hoje vou compartilhar com vcs minha análise freestyle de KISU11.



Vem comigo!!!

KISU11 é o que eu gosto de chamar de um fundo semi-passivo: ele persegue um índice mais os gestores podem tentar performar com suas estratégias próprias.

O índice que ele persegue é o suno30. Suno é a casa de research do Thiago Reis, mas a figurinha mais conhecida dentro da Suno, no quesito FII, é o Professor Baroni.

O que é o índice Suno 30?

Suno 30 é uma carteira teórica de FII que busca ativos de acordo com os seguintes critérios/filtros:

1) Fazer parte do IFIX
2) Não ser FOF (eu ainda tenho dificuldade de chamar fundo de fundos de fof... na minha época era FIC)
3) Não ser monoativo
4) DY maior q zero LTM (Last Twelve Month)

Feito estes filtros, coloca do maior pro menor PL e pega os 30 maiores com pesos iguais (3,33% de peso para cada). Repita o processo a cada 3 meses, sempre no último dia útil de março, junho, setembro e dezembro (aqui, indo no detalhe, fiquei na dúvida se a carteira de abertura do ultimo dia útil é a carteira reajustada, ou a carteira reajustada começa a valer só pro 1o dia útil do mês seguinte, essa segunda possibilidade faz mais sentido).

Temos 2 grandes estratégias para (re)balancear nossas carteiras [1]:

  • Ponderar por tamanho (mt mais comum); e 
  • Ponderar igualmente todos os ativos.

Quando se dá pesos iguais a todos os ativos, comparativamente, vc está aumentando a influencia de ativos menores (menor patrimônio). Não entendeu, vamos lá: aquele ativo A que tem o valor 3 vezes maior que um ativo B, num portfolio baseado proporcional ao valor/patrimônio de 10 MM, 7,5 MM seriam destinados ao ativo A e 2,5 MM ao ativo B. Por sua vez, dando pesos iguais aos ativos, esses mesmos 10 MM seriam divididos em 5 MM para cada um. Desta forma o ativo menor é mais relevante na segunda carteira comparado à primeira.

Voltando ao KISU11, a gestão promete se esforçar para "seguir o suno 30", "aproveitando as oportunidades".

Vamos olhar como está a primeira parte, "seguir o suno 30", comparando a última carteira disponível (abril/22) com a o respectivo índice da suno (abril-jun de 2022):


Podemos notar que os gestores do KISU optaram por não colocar VRTA11 e praticamente também não colocaram o MCCI11 (ele ta no KISU, mas num percentual bem abaixo). E aparentemente mataram no peito colocar outros 3 fundos:
RBVA11, HSLG11 e GTWR11 - curiosamente esse GTWR11 tbm está a revelia no ITIT11, será que ele mudou de nome? anotar aqui no caderninho para dar uma lida nesse GTWR11. (mais a baixo, quando eu falar sobre o relatório, teremos algumas explicações)

Vamos plotar num gráfico essas diferenças.


Nota-se que KNCR11 e CTPS11 estão um pouco acima da média e DEVA11, VCRI11 estão abaixo da média. (call dos gestores?)

Quantos por cento do fundo está em FII?

Achei interessante, 93,1%... Mas aqui pra mim, qt mais melhor!!!

Agora vamos a segunda parte da gestão, que seria a parte da gestão ativa. O relatório traz o seguinte gráfico, comparando o resultado do KISU11 com o SUNO30 (e com o IFIX)


Do gráfico acima, podemos ver que o suno30 acompanha bem o IFIX. E por volta de junho de 21 o fundo deu uma descolada boa desses 2 índices. Vou tentar tirar esse efeito para tentar ter alguma interpretação da gestão ao longo do tempo. 

No início, final de 2020, tivemos um "perde-recupera". Depois, inicio de 2021, tivemos um "ganha-devolve". Um pouquinho de ganho, talvez, dps da super valorização de junho de 2021. Mas, de lá pra cá, nada de destaque, acompanhou bem o índice.

Em quase 2 anos de performance, tivemos uma super tacada positiva. Sorte? Poderia ter um degrau desse, só que negativo? Fica a reflexão.

Como eu gosto de fundo passivo, confesso que as aparente poucas intervenções quando observada a performance passada é bom.

Análise do relatório

Aqui KISU11 dá um banho no relatório do ITIT11, mas as 6 primeiras páginas do KISU11 são a gestão se vangloriando do aumento do número de cotistas (achei muito desproporcional e, consequentemente, desnecessário).

Um ponto positivo é o detalhamento do rendimento:

Que lindo detalhamento!!!

Como os FII são obrigados a distribuir 95% do resultado caixa semestralmente, minha expectativa é que todas essa reserva de jan-mai seja convertida em rendimento na data ex de 30 de junho com pagamento em julho... deve dá por volta de R$1,00. (chute meu)

Lembram no meio da análise que havia uns FIIs que estavam no KISU11 e não estavam do SUNO30 e vice versa? Pois bem, o relatório consegue elucidar alguns deles:

"Continuamos buscando oportunidades para aumentar a exposição em MCCI11 através de novas ofertas.
Ao final do mês de março, VCJR11 e VRTA11 passaram a compor a carteira do índice SUNO 30 com a saída de RBVA11 e HSLG11., trabalho que estamos realizando com calma e aproveitando boas janelas de
mercado."

Basicamente timming para ajuste de carteira devido à atualização do índice.

Outro ponto ruim é que hj são 20 de junho e nada do relatório de maio!!!

Por fim, hj é um fundo com 0,85% de P/VP, ou 15% de desconto por esse punhado de FII. Acho bastante interessante e ficará no meu radar!!!

[1] eu poderia falar de outras como a arbitrária 25/25/25/25 ou buscar alguma ponderação pelo risco, por exemplo buscando um beta zero (beta neutro).


E vcs, netos? Gostaram da análise?

Possuem esse fundo em carteira?

Gostaram dele? Odiaram ele?

Bora lá!!!


PS [20/06/22]: No site do kilima não achei, mas achei o relatório de maio no www.fundsexplorer.com.br, que remete ao site da B3.

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